O que é saúde para os intersexos?

O que é saúde para os intersexos?

Eram pelo menos de 20 a 30 punhos dentro de mim, todos os dias, por pelo menos 1 mês. Todos queriam testar o novo espaço dentro de mim, aquele espaço feito como buraco penetrável, sentia o látex das luvas e a dor que incomodava 1 vez ao dia, para testar tamanho, elasticidade, sem perguntar se estava com dor ou incomodada, afinal eu estava ali pra aquilo, deveria agradecer.

Aquele ditado dito entre eles, estava materializado naquele corpo docilizado, normalizado para a vida em sociedade, “pois é mais fácil abrir um buraco do que levantar um poste” e ali estava um buraco obediente, mais uma cirurgia de sucesso, mais uma moça entregue a sociedade de homens e mulheres de bem. Esta pessoa recém-operada era Eu.

Venho aqui neste pouco tempo que tenho falar sobre os invisíveis que segundo dados da ISNA ( Intersex Society of North America) e da Bióloga Ann Fausto-Sterling é de pelo menos 1,7% da população mundial e maior que o número de pessoas ruivas que você conhece.

Como pensar a saúde para esses corpos? Neste dia de solidariedade de pessoas intersexo em memória a  Herculine Barbin, pessoa intersexo que viveu na França durante o século 19, relatadas pelo livro que apresenta suas memórias  publicadas por Michel Foucault em “Herculine Barbin: o Diário de um Hermafrodita”.  Pergunto-me o que é saúde para os nossos corpos que sequer é dado a oportunidade de existir como são, sem a necessidade de serem mutilados como eu fui para adequar-me a vida em uma sociedade doente que nos cerca.

Milhões como Hercuine foram mutilados e não tiveram a oportunidade mais básica, necessária para qualquer ser humano a de existir como sou. A ótica da generificação pela incorporação estereotípica idealizada pelo psiquiatra e sexólogo John Money nos anos 70 do século passado, cujo sua principal fonte de estudo e pessoa em que tentou implantar esta ideia, David Reimer que suicidou-se em 2004, prova o quanto esta lógica cruel pode causar a vidas inocentes como a de Reimer , a minha e a de muitos outros que foram mutilados na carne para adequar-se a vida feminina ou masculina que ganharam após a mutilação genital por qual passamos.

A não existência dos corpos intersexos que poderiam livremente habitar nosso meio social como são desde a pré-escola e a existência dos sobreviventes deste momento cruel e irreversível pelo menos do ponto de vista cirúrgico, nos faz perguntar: Como pensar em saúde para corpos que nem podem ao menos existir ou mesmo existindo através de uma medicina que privilegia o segredo, procura através do bisturi “cisgenerizar” vidas sem seu próprio consentir?

Questões como essa precisam nos incomodar não só como sociedade, mas também como indivíduos já que o conservadorismo tem se espalhado por aí e acredita que gênero não é assunto para discussão na sala de aula e na formação crítica das novas gerações no desejo de permanecer atrelado às velhas ideias da heterocisnormatividade que inclusive povoa a mentalidade e a ética de nossa classe médica e política.

Nesse dia de solidariedade aos corpos intersexos, lembramos que hoje e sempre é dia de luto e luta e enquanto pudermos mesmo com dor, suor e lágrimas não deixaremos de lutar para que em nosso país e no mundo a mutilação genital de corpos intersexos seja proibida por lei e a saúde física e mental dessas pessoas seja preservada pois a existência nos permite sermos vistos e quanto mais vistos e menos só, livre e iguais podemos decidir o melhor para nós. O corpo esta presente que carrego é presente e como presente eu quero ter o direito de existir, ir e vir e fazer com ele o que Eu quiser e desejar.

Intersexo é vida, existência, luta e resistência. Feliz dia da solidariedade intersexo.

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Corpos intersexos e não-binários escrevendo existências

Corpos intersexos e não-binários escrevendo existências

As imagens construídas em meio ao caos em que vivemos, tentam e muitas vezes conseguem fazer com que nos correspondamos a elas como elas são. Em contraste a isso, a frase de Heráclito nos lembra que “Ninguém entra em um mesmo rio uma segunda vez, pois quando isso acontece já não se é o mesmo, assim como as águas que já serão outras.” Pensando nisso e nos últimos dois anos de minha história recente tenho me perguntado: Quem sou? Como estou? E o que desejo ser?

A gramática do EU, tem sido meu objeto último de análise, na busca por compreender aquilo que o dicionário explica de modo figurado como sendo o conjunto de regras e princípios que tem formado a minha estrutura psíquica e sustentado minha travessia nesses últimos meses. A construção deste ser que vos escreve passa pela compreensão daquilo que transcende a explicação biológica ou médica, não sou só um conjunto de células ou um corpo por onde passam sinais bioelétricos , sou a composição de uma história , sou uma escrita de si.

Genital Ambíguo
Imagem de um genital ambíguo. Foto do site enfermariaaps.com

Num mundo generificado como nosso tudo ganha dois lados, masculino ou feminino. Desde a forma da barriga da pessoa grávida ao ultrassom feito para descobrir o sexo do bebê que agora ganha mais cara de espetáculo com o chá de revelação. Esse tesão pelo sexo, cria uma história, uma expectativa que um bebê sem culpa mesmo em desenvolvimento no corpo de uma mulher carrega. Se por alguma via se engana e na realidade se descobre que o sexo era diferente do esperado, todas as coisas precisam ser refeitas desde as materiais caso se opte pelo azul ou rosa nas roupas ou na decoração de um quarto e principalmente as histórias sociais nutridas pelos pais e familiares daquela criança. É neste sentido que tenho me perguntado, que preço paga a criança intersexo que nasce com genitália ambígua?

 

Eu sou um desses casos e aos 9 meses meu destino foi traçado e por quase 30 anos vivi o desafio de tentar adequar meu corpo a uma feminilidade imposta por uma medida que não era minha. Corpos como o meu numa sociedade binária, são emergências sociais, pois são corpos que estão fora do padrão binário e “pedem” uma adequação. Não só pela norma social, mas também pela corpus jurídico e médico. Assim não sendo um corpo funcional na medida médica , logo fui levado para a sala de cirurgia e consertado para que a sociedade não fosse incomodada e todos dormissem bem, já que um corpo não -binário , não deve ser aceito ou recebido, pois “macho e fêmea os criou, a sua imagem e semelhança”.

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Falômetro Fonte: Google imagens

Ao descobrir o segredo, a caixa de pandora foi aberta e mais um corpo se descobre em meio a sociedade que acredita existirem dois tipos de corpos possíveis, contra pelo menos mais de 40 tipos. Todos as tentativas foram feitas para domesticar e docilizar meu corpo, afinal um pênis de 1 cm não era funcional, mesmo tendo todo o aparelho reprodutor masculino dentro de mim. O trisal é abalado todas as vezes que a caixa de pandora intersexo é aberta, religião-política-economia se estremecem quando corpos se descobrem sendo desviantes desde o nascimento e desestruturam ainda que minimamente o elo da composição que quer manter nossa sociedade coesa e doente.

A escrita de si é uma ferramenta que pode empoderar corpos como os meus. Ser intersexo e buscar uma vivência que foge ao trivial de masculinidade e corpo é um desafio que tomei para mim. Desde a liberdade de comprar as minhas próprias roupas , o que no caso foi um tormento psicológico por pelo menos dez anos em guerras internas com os padrões familiares e sociais até mesmo o desafio da leitura de masculinidade sem a necessidade de uma cirurgia masculinizadora, diante de pares que sofrem de disforia de gênero com seus seios a ponto de se submeterem a mesa cirúrgica para ficarem em paz com a construção masculina que lhes parece mais correta ou satisfatória.

Vejo minha vivência como um desafio mesmo diante de homens trans que acreditam que a estética masculina traz em si uma verdade do que é ser homem diante da sociedade, não só estética, mas de comportamento. Nesse meu desafio por uma composição de uma vida que não cultua a cartilha da masculinidade estereotipada na sociedade, ser um transmasculino não-binário é estar diante da lógica social e criar uma nova todo dia frente a uma pressão para “comprar” e “aplicar” a cartilha social. Essas “escolhas” são duras e desafiadoras e escrever a nossa própria escrita, romper com uma binaridade é lutar para não sucumbir diante de um mundo que diz que só há dois lados.

Nos últimos dois anos, principalmente em 2017, tenho vivido isso na pele. Muitas vezes cansado e pensando em desistir, outras vezes com fé e força para desafiar a sociedade. Esses altos e baixos, frutos de uma depressão que carrego creio que desde os 15 anos é uma composição complexa que se inscreve hoje no mundo de corpos dos não-lugares, do não dado, não visto, do incompreensível e do inimaginado. A complexidade que carrego em meu corpo intersexo e trans traz um questionamento a sociedade do espetáculo que em seus recônditos tem corpos como os meus medicalizados e “estuprados” desde a infância para satisfazer uma sociedade com dois olhos.

Não é fácil, confesso que muitas vezes carrego pensamentos suicidas, sentimentos de incompletude, feridas psicológicas por trazer um corpo “anormal” a luz da sociedade “normal” o que torna o dia-a-dia de uma vida trans e intersexo, a cada despertar uma vitória. Hoje no dia internacional da visibilidade intersexo vejo o quão importante é trazer o assunto para a luz da sociedade brasileira e a necessidade de enfrentar os grandes desafios que a comunidade intersexo da qual faço parte precisa lutar , primeiro saindo do hospital para as ruas, trazendo o assunto diante das rodas de conversas em bares, cafés, universidades e na boca da população em geral e em segundo lugar – não menos importante que o primeiro – tornando público a luta contra a medicalização de corpos não-binários como os meus e de pelo menos 1 a 2% da população mundial segundo a ONU e a Sociedade Intersexo americana, corpos ambíguos não devem ser corrigidos ou adequados, precisamos resistir pois só assim poderemos começar a abalar de forma mais profunda o câncer binarista que acomete nossa sociedade.

Finalizo este texto saudando a comunidade intersexo brasileiro pela sua luta e no âmbito internacional pelo nosso dia de visibilidade internacional, gritando contra a mutilação genital intersexo que todos os dias ocorre em nosso país e pelo mundo, como militante e pesquisador, acreditando na possibilidade de um dia corpos não-binários serem percebidos como corpos possíveis e necessários em uma sociedade diversa e plural que habita um mundo com pelo menos 8 bilhões de seres humanos únicos.

 

Identidades Transgressoras e uma proposta

Identidades Transgressoras e uma proposta
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Fonte : Google Imagens

 

Uma das coisas mais loucas da minha vida é essa questão de ter entrado em contato com esse mundo da diversidade. Logo eu, essa pessoa que foi tão careta, tão homofóbica e transfóbica , hoje está no meio de tudo isso e olhando pra trás vejo o quão cego eu fui e o quanto que ainda preciso aprender.

 

Descobrir-me bissexual (orientação sexual), intersexo (condição biológica), transexual (identidade de gênero) abriu meus olhos e aguçou minha percepção. Ser intersexo , entre os sexos , para mim torna cada dia mais claro o quanto a natureza sábia ensina ao homem que ele tenta imputar padrões sociais que são pequenos demais para a diversidade da sexualidade e das identidades de gênero que há no mundo. Vejam aqui , alguns exemplos:

Trans não-binárias : São pessoas que não se identificam com o gênero masculino ou feminino, podem se hormonizar ou não. Cada uma delas constrói seu gênero de uma maneira própria e particular que fogem aos padrão social estabelecido .

Transgêneros Masculinos e femininos: Pessoas que se identificam e expressam com o gênero oposto ao que foi lhe atribuído ao nascer.

Gênero fluído: São pessoas que transitam entre os gêneros masculino e feminino. Sua expressão de gênero corresponde àquilo que a pessoa se identifica e quer se expressar naquele dia.

Adoro ver como as identidades transgridem aos padrões normativos pré-estabelecidos, isso é lindo. Acho que os padrões heteronormativos são tão restritos, limitados e limitantes que não permitem as pessoas a pensar, refletir sobre o que há lá fora. Vejo o quanto é fácil a sociedade por escamas nos nossos olhos e o quão difícil é tirar elas dos nossos olhos.

Nossa existência e resistência é um chamado a sociedade a abrir os olhos, não acho que isso seja fácil ou lindo como nos filmes e nos livros, mas acho necessário nossa militância, nosso compartilhamento de textos e vídeos, além disso  precisamos de momentos de convivência de compartilhar nossas dores e vitórias, nossos sonhos e desafios.

Tenho pensado muito na criação de uma reunião e espaço de convivência para pessoas trans e intersexo que muitas vezes se sentem fora do aquário social e não sabem com quem contar. Acho esta uma ótima proposta e um desafio a se levar pra frente. Já pensou em fazer isso no seu estado, criar um espaço acolhedor e ao mesmo tempo instrutivo e aberto a novas identidades e ao desafio de compreender o que ainda não é domínio de todos. Faço esse desafio e proposta a vocês. Bora enaltecer e compartilhar as dores e delícias de sermos transgressores da norma social vigente?

Até nosso próximo texto

Poder médico, Mídia e Transgeneridade. A quem servis?

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fonte: Google imagens

Coisa mais linda é ter sua minoria noticiada na mídia né? Ah ter um programa em rede nacional que fala de transexualidade, crianças, hormonização, empoderamento é show. Será mesmo? A quem serve a mídia golpista? O que interessa ao capital a questão social Trans hein? E quando ocorrem mortes de pessoas trans (algo diário) porque não se discute, acaso não convém?

De novo, acho que vou ganhar inimigos no movimento, mas é preciso provocar, não podemos ficar passivos a situação. O recente programa noturno que “celebrou” a questão trans, teve consultoria de uma mulher trans respeitadíssima no meio, mas como sabemos a edição final sempre fica a cargo da direção e a falta de contemplação dos homens trans para fala ( os presentes tiveram que pedir pra falar) demonstra o quão invisibilizados somos mesmo no movimento trans. Já falei no meu face, apesar de ter algumas trans e travestis apoiando a transmasculinidade, a generalização de que homens trans são estupradores invisibiliza a luta e pra mim é um sério problema. Dá um textão gigante, mas eu falo disso outro dia.

Na mesma semana, um mesmo personagem apareceu em dois programas como consultor, um programa semanal e outro dominical que até iniciou uma série por trás disso. Psicanalista renomado como “apoiador” da causa trans e famoso no meio médico, sei que na aparência ele parece apoiar a causa, mas é sexista e transfóbico. Como vítima, na questão intersexual sei que a dimensão que tem o poder médico que adora dar voltas e servir a mesma causa, de continuar com a norma e o estabilishment, aliada a indústria farmacêutica que investe milhões e bilhões em pesquisas para engordar cada vez mais suas contas bancárias.

Como já falei em textos anteriores, cada um faz o que quiser da vida, mas é necessário pontuar questões e deixar a pulga atrás da orelha da comunidade a qual faço parte. Nesse sentido, uso a minha vivência como intersexo pra servir de base. Fui hormonizado para o feminino desde os 12 anos de idade, como parte do processo normalizador adotado pelos médicos brasileiros e ao redor do mundo para a questão intersexo. Não há nenhum estudo a longo prazo sobre os efeitos da hormonoterapia na vida adulta com a hormonização na adolescência, não há nada que demonstre os riscos que corremos com isso (somos cobaias no caso trans de forma consentida) sem nenhum sinal de alerta ao risco de embrenhar-se no desconhecido, além disso o mercado cirúrgico ganha a cada cirurgia de neovagina e mastectomia realizada, além de ser um buraco penetrável que não garante prazer a pessoa, fica claro a corrida do ouro da vez, anunciar o poder da medicina alopática e cirúrgica para o processo, mas a que preço?

Quando Eu falo da questão da aliança poder médico + mídia em favor da causa trans, deixo como alerta a questão de vários pontos de vista. Em primeiro lugar é atrair a audiência que se perdeu com o golpe e o uso potente das redes sociais da internet pelas minorias como espaço de discussão , empoderamento e divulgação de causas. Em segundo lugar , tudo está sendo preparado pra que a população antes desconhecendo do assunto agora passe a ser informada e se torna cativa e receptiva a um personagem feito por uma atriz CIS que durante a trama vai demonstrar o processo de transição e as questões que ele acarreta, claro com o viés particular de uma autora CIS sobre a questão, sempre será distante da vivência porque cada vivência é singular e diferenciada, ou seja nunca alguém de fora terá uma noção completa do que passamos, mas isso é até compreensivel, mas ao mesmo tempo preocupante. Por que não ter um roteirista trans ou um ator trans para executar tal personagem?

Já falei aqui que a medicina e a industria farmacêutica não dão ponto sem nó. A novela pode ajudar a aumentar as vendas de hormônios e também de produtos específicos para a comunidade trans, mas sempre seremos exotificados e vistos como nicho de mercado e o mercado não leva em conta vidas e sim quanta grana foi colocado da venda de produtos no meu bolso hoje? A heterocisnormatividade também vence no final, porque teremos uma modelo sarada nas telas da TV que vai continuar a pregar o esteótipo da expressão de gênero que é bem-vinda, bombado , hormonizado, mastectomizado e vai demonstrar ao público jovem trans o que é a transgeneridade que chamo de “limpinha” e passável, garantindo segurança ao indivíduo e a adequação a normatividade cis.

Ah, mas o sonho de todo mundo que é trans é ser passável , sim, mas nem todo mundo. Temos as pessoas trans que são não-binárias e invisibilizadas até no próprio movimento. O que me deixa muito triste, porque só demonstra que só somos aceitos por aquilo que aparentamos e isso pra mim nada mais é do que uma vitória do patriarcado sobre a população Trans. Você é transfóbico Amiel? Não. Eu sonho com o dia que a comunidade trans vai acordar para a verdadeira revolução, parar de dar mole pro patriarcado. Dizendo que a aparência é quem faz a pessoa e não o sexo psíquico, aquilo que a pessoa se identifica desde que nasce.

Precisamos levar em conta que existem muito mais gêneros do que a nossa mente pode sonhar. A sociedade precisa aceitar nossa autoidentificação de gênero, além da nossa identidade que transcende ao padrão normativo e pode ser sim bem diferente do homem/mulher CIS e TRANS presente em nossa sociedade. Quando pergunto a quem a midia e o poder médico serve , a resposta é clara, ao bolso e ao patriarcado. A disforia de gênero para mim é um processo que permite a apresentação de um questionamento que pode ser necessário, não para a identificação Trans do indivíduo, mas ao próprio padrão heterocisaparente que serve a um estabelecimento de que o indivíduo deve ser assim ou assado.

Não estou no seu corpo e na sua mente, por isso acho que cada um deve lidar com seu corpo da forma com que lhe agrade, mas ao mesmo tempo não posso deixar de nos provocar e bater na tecla que transcender ao padrão heterocisnormativo não é só assumir nossa transgeneridade, mas afirmar que nossa vida e visão não estão circunscritos a padrões sexistas e moralistas que não conseguem compreender a diversidade da vida humana. Quando psicanalistas ou médicos dizem que quanto mais cedo for feito o processo, maior é a possibilidade de se reverter a transgeneridade do indivíduo. Me perguunto se ao falar isso em rede nacional, mesmo que por um deslize , não está se fazendo um deserviço a causa, sendo contraditório as novas questões que se deseja propagar.

Pitacos e provocações que espero que façam os nossos olhos abrir e o bom diálogo surgir

Sobre Destransicionar

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Sou um menino chato e gosto de falar coisas que poucas pessoas gostam de falar. Não sei se as pessoas veem relevância no que Eu digo, mas digo mesmo assim. Dito isto, acho que este assunto é tabu no meio Trans, mas que pede uma urgência  pela necessidade que há em se falar sobre isso, principalmente no meio transmasculino.

Antes de iniciar o papo quero deixar uma coisa bem clara. Sou iniciante no espaço trans e transmasculino, mas acho importante marcar minha posição para que quem anda comigo saiba o que penso e possa aprender e/ou contribuir com seus pontos de vista sobre o assunto.

Presenciei em agosto de 2016, ato de transfobia em uma palestra sobre visibilidade lésbica na UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo). Aquilo me impactou de uma forma tremenda, era uma pessoa Trans que estava em processo de destransição e ainda havia se filiado a Teoria Radical e sua vertente Trans Excludente. Com “gritos de macho de saia”,”macho que quer estuprar” e coisas do gênero esta pessoa direcionou sua fala a uma pessoa trans no meio do evento e da sala e acabou gerando um mal -estar geral pela explícita transfobia nas falas e atitudes vistas ali.

Do meu ponto de vista como mulher que um dia fui, sei que as mulheres sofrem opressões e silenciamentos desde que se entende como humana nesse mundo tão cruel. Mulheres Trans se veem como mulheres e assim se identificam entre os 4 e os 6 anos , segundo relata o psicólogo e psiquiatra Rafael Cossi em seu livro “Corpo em Obra” . Neste livro além de defender a transexualidade como algo normal e comum a todos os seres humanos o autor também aponta ferramentas que podem ser relevantes para psicólogos e psiquiatras despatologizarem a questão.

Ao olhar para a vida humana , sempre defendi a liberdade como essencial a todos os indivíduos. Não há nada de errado em perceber que aquilo que um dia lhe pareceu ser verdadeiro ou fazer sentido para si, podem ser mudados conforme o tempo vai passando. A vida é fluxo, nada está fechado, o que para pessoas é real hoje, amanhã pode não ser mais e isso não deslegitima o que já foi um dia verdadeiro para a pessoa. Além disso, isso nunca invalidará o movimento de homens e mulheres trans, porque o movimento é maior, suas ideias e sentidos continuam a serem vistos e percebidos mundo a fora, ser a favor da destransição é ser a favor da liberdade.

Ninguém  apaga  o que viveu, está guardado na memória e na alma, posso esconder em algum lugar , baú, mas sempre que eu passar e olhar vou saber o que está escondido ali. Ao destransicionar, as transfobia vividas antes podem ser reprimidas, mas não desaparecem e é com essa fala que agora me direciono às pessoas que destransicionaram. A mesma liberdade que eu defendo de você voltar atrás é a que pede a você que respeite quem sou e a dor que é viver num corpo biológico que não é meu. Vocês sentiram isso na pele e foi real e do mesmo jeito que hoje não sentem, não tem o direito de se manifestarem contra pessoas trans, pois o respeito que se dá a você existir e ser como é também deve ser o mesmo respeito para comigo.

Pessoas trans são pessoas com uma identidade que deve ser respeitada, ouvida e acolhida, assim como aquelas que por um ou vários motivos destransicionaram. Nosso movimento é pela liberdade de ser quem você é, com tanto que também se saiba os limites que podem ferir a minha liberdade. Nossas vidas, dores  e posições políticas  merecem respeito , mas a violência gerada em torno da minha liberdade de ser não, porque existir como sou é meu direito garantido pela constituição e pelas cartas de direitos e deveres criados pela Organização das Nações Unidas e recomendadas a seus países membros dos quais o Brasil é um dos signatários.

Seja você quem for, respeitando a minha liberdade de existir, prometo que o mesmo respeito será regra de conduta da minha parte e da maioria das pessoas trans. A Liberdade de ser é nosso direito assim como o de pessoas que destransicionam. Não há vergonha em voltar atrás, ,mas há tristeza , medo e terror quando a nossa decisão violenta a liberdade dos seres com o assédio moral, agressão física e mortes. Estamos cansados de lutar por existir, mas vamos lutar contra todo e qualquer tipo de opressão e violência enquanto houver fôlego de vida.

Viva a Liberdade de ser você, sem culpa de ser o que se é.
Abaixo a Transfobia.

Uma palavra a comunidade Trans

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Fonte: Google Images

 

Uma das coisas que sempre me incomodou na questão Trans é a questão da passibilidade Cis. Antes de conhecer o movimento não conhecia palavras tais como: hormonização, mastectomia, faloplastia, processo transexualizador,bombadeira e deve ter muitas outras mais. Como muitos dos que me acompanham sabem, sou uma pessoa intersexo, o que significa que passei por muitas cirurgias e conheço o mundo médico há muito tempo e é desse lugar de fala que quero conversar com vocês hoje.

Gostaria de deixar bem claro que respeito e admiro , mulheres e homens Trans e sou a favor de cada um fazer o que entende ser o melhor pra si. Dito isso, afirmo que para o objetivo pessoal de cada um, hormonização e cirurgias que possam garantir seu próprio reconhecimento como homem ou mulher diante de si e da sociedade são bem-vindos, contanto que se saiba o que está fazendo e aos riscos que se está submetendo e é sob esse olhar que quero destacar meu ponto de vista de forma mais aprofundada.

Passei por 8 cirurgias durante a vida, dessas 3 foram relacionadas a questão intersexo. A primeira cirurgia foi compulsória, Eu não participei da decisão. Fui transformado mulher contra a minha vontade com o clitóris aumentado que tinha ao nascer pela questão intersexo e que  praticamente foi removido em sua totalidade ignorando o meu prazer sexual no futuro. A segunda e a terceira cirurgia foi para a construção de uma neovagina, primeiro com uma tentativa de expansão de mucosa e pele que foi rejeitado pelo meu corpo e depois com a utilização de uma pele do próprio corpo para criar um buraco penetrável para o prazer masculino.

Uma das minhas maiores revoltas é com o machismo e o sexismo que impera na medicina. Médicos são ensinados a salvar vidas, mas também a “brincar de Deus”. Na época , apesar de adulta e por todo meu histórico pregresso , achava que a cirurgia ia me tornar feminina , já que me via como mulher incompleta. Rendi-me à mão dos médicos , pois somos ensinados a compreender que eles sabem o que estão fazendo e querem o melhor para nós. A pergunta que fica é: Será mesmo?

Depois da descoberta da cirurgia “normalizadora” feita aos 9 meses para dar descanso a si mesmos, agradar aos meus pais e a sociedade, tenho percebido o quanto o poder sobre os corpos que tem a medicina serve para apaziguar e impedir o levante de questionamentos tais como a normatização do gênero e a imposição dessa normatização como meio de garantir a segurança e a passibilidade de pessoas trans em nosso mundo. Apesar de ser um padrão social, o binário de gênero – fruto do patriarcado e do capitalismo vigente- normatiza corpos e dita como estes devem ser vistos ou então como corpos não correspondentes ao binário devem ser corrigidos  para ser aceitos socialmente. Mas a que preço?

Sou portador de um corpo que foi submetido a duas violências. A primeira foi uma sexualização compulsória não-consentida e a segunda uma hormonização para finalizar o processo sexual-normalizador que não leva em conta o futuro que estes procedimentos podem acarretar. Um descompasso entre a cirurgia na tenra infância e minha identidade de gênero que hoje está sendo reconstruída, mas que por muitos anos e por causa da hormonização me fez ficar confuso e imaginar , por exemplo que a neovagina me faria ser mais feminina, coisa que não ocorreu. Eu me sentia um ET, uma pessoa num corpo que não sabia o que era ou ao que pertencia mesmo tendo uma vulva,vagina construída e uma hormonização que não condiz com minha identidade de gênero.

Pensando nisso chamo a reflexão a população Trans e pergunto será que vamos continuar permitindo que sejamos violentados pela medicina em favor de uma passibilidade cis? Só no ano passado, 343 pessoas trans foram assassinadas no Brasil e acredito que mesmo “passáveis” foram assassinados. Cirurgias e processos cosméticos que garantem a passibilidade , são violências. É tão doloroso ter que passar esse processo transexualizador que com laudos e cirurgias possibilitem nossa existência e inserção social, mas ao mesmo tempo mesmo que as aparências diga que somos cis, sempre seremos TRANS. Muitas vezes essas cirurgias utilizam técnicas que usam corpos como cobaias ou então colocam o corpo em risco por exemplo ao inserir silicone industrial para dar formas mais femininas aos corpos trans. Isso me dói, porque médicos muitas vezes não alertam sobre o perigo e as consequências para o futuro por causa desses procedimentos.

Não posso me hormonizar, não quero mastectomizar. Já fui violentado por tantas cirurgias e processos medicalizadores que não aguento mais ver meu corpo padecer. Estou mais sujeito a câncer de mama por causa da hormonização feminina, além disso sem ela também estou mais sujeito também a osteoporose. È um mato sem cachorro e consequências de processos iniciados que não se pensou sobre  futuro e nem o presente de quem passou por eles. Hoje como pessoa intersexo, Transmaculina não-binária convido a comunidade trans a repensar a violência da modificação corporal que muitas vezes , os indivíduos de nossa comunidade se submetem para se aceitarem e serem aceitos na nossa sociedade.

A genitalização como meio de identificar o gênero de uma pessoa, também é controle. É dizer que corpos não-binários, não devem ser respeitados e terem espaço e reconhecidos como se identificam em nossa sociedade. A transfobia está presente quando não podemos dizer que somos homems por termos buceta, peito e não ter barba ou mulheres sem seios volumosos, pinto e barba não são o que sentem. Os esterótipos construídos socialmente são caixas e jaulas que violentam homens e mulheres trans, além das pessoas trans não-binárias. Nossa segurança é importante e inafiançável, mas também serve para confirmar  a adequação ao padrão social sobre o que é masculino e feminino, além de tornar-nos suas presas.

O meu lugar de fala me mostra o quanto ser quem sou é dolorido e é a partir dele que escrevo. Não julgo pessoas que procuram uma passibilidade cis para viver e sobreviver em nossa sociedade, mas mesmo com ela ainda nos falta oportunidade de emprego e uma visibilidade que questiona o binário, o estereótipo e sociedade como um todo. Àqueles que desejam passar por processos cirúrgicos e hormonais para se sentir como são , faço um alerta, pesquisem bem os riscos a que estão se submetendo e com essa consciência tomem a melhor decisão para si e sejam felizes. Aos corajosos que assumem sua identidade trans sem esses processos, convido-os(as/es) a nos unir e conversar mais sobre o assunto e nos fortalecer. Nossos corpos são nossas bandeiras e merecem viver sem violências.

Nesse dia 20 se comemora por decisão da Assembleia do I Encontro nacional de Homens Trans e Transmasculinos nosso o dia de luta, resistência e celebração de uma nova masculinidade a ser construída dia a dia. Saúdo a todos vocês e celebro meus amigos,  nossa existência e persistência em ser quem somos e como somos, muito mais do que as aparências somos homens com H maiúsculo.

VIVA A LIBERDADE DE SER VOCÊ.

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Gritos Invisíveis

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Fonte: Hypeness

 

Você sabe o que é ser invisível diante do estado de direito? É ter registro de nascimento, nome social ou nome retificado, mas ter parcas políticas ao seu dispor ou nenhuma. Tenho pensando muito nisso desde a morte de Agatha Mont, o quanto ser invisível em meio a uma sociedade patriarcal e conservadora passa a nos desencorajar a ter fé numa mudança de quadro.

O que falo pode parecer negativo, mas é um chamado a reflexão. O capitalismo com seu anseio por oferta e venda de produtos, tem tornado a vida humana também um produto para consumo ou descarte. O conservadorismo crescente em nossa sociedade, valoriza o que a norma prega como aceitável e agradável tornando corpos em mercadorias que precisam se adequar a norma social (hetero/cis/branca/magra) e  retirando o valor intrínseco que há na diversidade que permeia a vida humana.

Nossa sociedade nos prepara para rejeitar e ignorar pessoas e comportamentos diferentes. Eu me lembro de quando ainda era mulher , usar roupas esportes e não ligar muito pra questão estética e ser chamada de mulher-macho por parentes ou colegas. O poder do consumo é tão grande que parece que viver é estar num grande supermercado com aparências e comportamentos a venda, numa desvalorização da essência, da personalidade e do corpo de cada indivíduo.

Essas marcas ao ser aplicadas sobre nós, vão nos entristecendo, fragilizando e demonstrando a descartabilidade da vida humana, por não se enquadrar no que a sociedade deseja. A insegurança é uma dessas marcas que deixa-nos indefesos ao enfrentar o outro ou o espelho ficamos cada dia mais próximo do abismo, por não estar no peso desejado pra usar as roupa do verão além de ter a necessidade de ter um corpo sarado seja por cirurgias cosméticas ou por malhação intensa.

Imaginem só quando ao nascer, seu sexo não está definido. Médicos e pais passam a tomar decisões sobre seu presente sem pensar no futuro. Uma cirurgia encaixa a criança no gênero que exames vão revelar sem ao menos respeitar o desejo daquele(a) a quem essa decisão vai afetar. Nascer intersexo é estar com seu gênero na mão de pessoas cujo o pensamento é para a rápida resolução do problema, afim de agradar ao patriarcado e dormir com a consciência limpa. O meu caso e o de outros adultos intersexo provam que se a decisão não for tomada com a consentimento da pessoa, pode causar traumas e danos psicológicos prejudicando o presente e o futuro.

Ao nascer homem e ter um corpo corrigido para o feminino, não me foi dada a chance de viver aquilo que a natureza e sua sabedoria me designou. Apesar de ter passado muito sofrimento durante toda a vida e ser uma pessoa carente de afeto, insegura e em tratamento contra a depressão, hoje tenho a certeza de que também recebi uma dádiva. Ser intersexo é lutar para tirar do sigilo e da obscuridade do ambiente médico e familiar, além do padrão normativo social a nossa condição , trazendo a luz os males que pais e médicos provocaram ao não estar abertos a receber e aprender com indivíduos portadores características sexuais diferentes para a formação de sua identidade de gênero e orientação sexual.

Sentir-me indefinida ou estranha era sentir-se uma peça feita fora do padrão social que não respeita a pluralidade da natureza, incompatível com o corpo que me foi designado. Pessoas trans são assim , nossa psique não casa com o corpo que temos e aí só nos resta transicionar através  de hormonização , cirurgias e modificação do vestuário aquilo que meu cérebro vê. Eu não consegui comprar a feminilidade que é vendida pelo sistema capitalista e binário, meu corpo foi modificado para ser adequado, mas a revolução pelo conhecimento começou mesmo que tardia e está ocorrendo dia-a-dia. Ser aceito numa sociedade patriarcal e conservadora é um desafio, pois os direitos e liberdade são garantidos aos iguais.

Nem todos são iguais perante a lei e Agatha é prova disso. Preta, periférica e trans, lutava para construir um futuro para si. Profissional do sexo de dia, estudante de artes visuais á noite. Sua vida desde que nasceu foi acompanhada pelo racismo e também foi abruptamente interrompida, pois era um “macho de saia” para os alunos(as) que escreveram no banheiro feminino que usava na faculdade. A transfobia diária escancarada naquela parede de sanitário é  resultado de uma pobre sociedade de padrões e que  não compreende a natureza sábia que governa os reinos animal, vegetal e animal e é superior ao homem que se acha senhor de todas as coisas.

A morte de Agatha foi a declaração escancarada de que estamos num mundo não-feito para amadores e que pessoas  trans são sobreviventes que enfrentam a falta de oportunidades nas escolas e nas empresas, além da dificuldade de poder realizar o desejo de possuírem o corpo sonhado. O corpo em que se veem é produto capitalista caro com a venda com próteses de silicone e cirurgias  além da burocracia estatal que nega o direito a hormonização e dificulta a retificação do nome e do sexo destas pessoas. Faz-se necessário políticas públicas eficazes para garantir a manutenção da vida de pessoas trans, através da lei de identidade de gênero que tramita no congresso nacional, obrigatoriedade de cotas Trans na consolidação das leis trabalhistas e o livre acesso a educação que nos garante a constituição.

A luta trans é árdua, mas tem conseguido pequenos avanços e uma certa visibilidade já a causa intersexo é invisível e a militância brasileira muito pequena. Nossos corpos são nossas bandeiras, lutamos pela liberdade de ter nosso corpo aceito como ele é, corpo que pertence ao indivíduo, gênero que pertence a pessoa. Somos a prova de que a natureza é maior do que a cultura , somos a transcendência do que a sociedade acredita como gêneros existentes atrelados a uma genitália e desejamos que crianças não passem por cirurgias de designação sexual compulsórias. Lutamos pela proibição dessas cirurgias, além da possibilidade de se colocar na certidão de nascimento dos bebês intersexo gênero neutro, agênero ou intersexo. Ainda é um sonho, além de uma maior manifestação da militância brasileira, precisamos tirar dos livros de medicina a realidade intersexo e coloca-la a luz de nossa sociedade .

Como pessoa Transmaculina acredito na necessidade de uma luta constante pela causa trans, pois nossas vidas correm perigo todos os dias. O Brasil é o pais que mais mata pessoas trans no mundo e o país com o maior número de mortes a LGBTs. A cada 25 horas uma pessoa Lésbica, Gay, Bissexual ou Trans morre em nosso país e só no ano passado esse número atingiu a marca de 343 mortes, o que demonstra que ter orientação sexual diferente do padrão estabelecido é motivo para assassinar-nos. Sou intersexo, o que também significa que luto e grito pela proibição de cirurgias “corretivas” em crianças intersexo e políticas públicas que garantam a prisão de médicos que usam da moral para modificar corpos sem o consentimento de seus próprios donos, além do reconhecimento do Estado da existência esse grupo social com a inscrição do gênero neutro, intersexo ou agênero na certidão de nascimento da criança garantindo também a desburocratização da retificação de nome e gênero no momento em que a pessoa definir sua identidade de gênero.

Aviso que minha militância não ficará restrita aos textos desse blog, ela vai ganhar o Youtube com os vídeos do canal desse blog, além das ruas , dos gabinetes , das palestras e onde mais for necessário, pois o meu corpo é minha bandeira e faço dele a minha luta.

Basta de Transfobia e de cirurgias cosméticas. Viva a vida e a pluralidade dos corpos e desejos.